O Confluentes recebeu a fotógrafa e pesquisadora Claudia Jaguaribe para uma noite dedicada a memória, ausência e as muitas maneiras de contar a história do Brasil. O encontro reuniu integrantes da rede para refletir sobre quantas mulheres marcaram a história do país e, no entanto, quase ninguém sabe quem elas foram.
O projeto tomou forma a partir da investigação de Claudia sobre trajetórias como a de Bárbara de Alencar, uma das primeiras presas políticas do Brasil e figura central nos movimentos republicanos do início do século XIX. Ao buscar vestígios dessas vidas, a fotógrafa encontrou um padrão: mulheres que atuaram em momentos decisivos da história — seja na ciência, na política ou na luta por direitos — e de quem, hoje, existem pouquíssimos registros. Sem poder, sem dinheiro ou projeção pública, suas histórias foram apagadas ao longo do tempo.
Dessa pesquisa nasceu o livro As Bárbaras. Diante da ausência de retratos e documentos, Claudia não tentou reconstituir uma verdade perdida — criou possibilidades. As imagens criadas por ela transitam entre documento e ficção, entre o que existiu e o que poderia ter existido: alegorias que conciliam fotografia, gravuras e recursos de inteligência artificial, tornando visíveis trajetórias que os registros oficiais deixaram de fora.
Ao longo da conversa, Claudia refletiu sobre o papel da fotografia como ferramenta para pensar memória e lacuna. Uma imagem, em seu trabalho, é construção e interpretação — uma maneira de imaginar narrativas para aquilo que a história deixou incompleto. E é nesse encontro entre pesquisa histórica e criação que o projeto ganha força. Ao dar forma às ausências, abre também novas maneiras de reconhecer essas mulheres.
O encontro reforçou algo que o Confluentes acredita desde o início: ampliar quem aparece quando contamos a história do Brasil é também uma forma de ampliar o que imaginamos ser possível. Reconhecer a relevância dessas trajetórias é um convite a enxergar o país com outros olhos.
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