Uma conversa com Raull Santiago após a tragédia nos complexos da Penha e do Alemão

Encontros, Eventos

A rede Confluentes se reuniu com o ativista e comunicador Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto, uma das primeiras organizações apoiadas pelo Confluentes, para uma conversa sobre o que aconteceu no dia 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. As duas comunidades foram cenário de uma das operações policiais mais letais da história recente do país, com mais de 120 mortos e centenas de familiares em sofrimento.

Além de ajudar a entender os fatos, o encontro buscou escutar o impacto humano. A dor de mães que perderam seus filhos, o medo que paralisa comunidades inteiras, o cansaço de quem vive sob a ameaça constante da violência. E, ao mesmo tempo, a força e a lucidez de quem, mesmo diante do luto, segue atuando para defender o direito de viver.

Raull lembrou que vivemos um tempo de respostas fáceis diante de problemas muito complexos e que o campo da segurança pública, especialmente no Rio, é um alerta permanente. “A gente vem de pandemia, de crise, de polarização, de violência. A sociedade está muito adoecida, e nesse cenário as pessoas acabam respondendo com raiva, com medo, sem reflexão. Por isso, olhar para o que está acontecendo nas favelas é também entender o que está acontecendo com o país”, disse.

Sua fala trouxe à tona o que raramente se vê nas manchetes: o esforço cotidiano de quem constrói informação e justiça a partir dos territórios, disputando narrativas e tentando garantir que cada vida seja contada com verdade e respeito.

A conversa também foi um espaço para refletir sobre o papel da sociedade civil e da filantropia diante de crises como essa. Quando o Estado celebra a morte, quem defende o direito de viver?  O Instituto Papo Reto e tantas outras organizações de base mostram, todos os dias, que há caminhos possíveis – pela escuta, pelo cuidado e pela construção de alternativas concretas de cidadania.

Para o Confluentes, essa escuta é parte essencial do que nos move. Acreditamos que apoiar financeiramente e institucionalmente iniciativas de base é fortalecer a democracia e a vida. E que a informação e a compreensão que vêm do diálogo com quem está nos territórios ampliam nossa consciência e aprimoram nossa capacidade de articulação.  

Foi com esse espírito que o encontro aconteceu: para compreender o que está em jogo quando o Estado falha em proteger vidas e quando a sociedade se acostuma com a violência.

A conversa reforçou a importância de apoiar organizações que atuam nos territórios, sustentando o trabalho de quem enfrenta cotidianamente os efeitos mais duros das desigualdades. É nesse compromisso – com a vida, com a escuta e com a ação concreta – que seguimos atuando.

Uma conversa com Raull Santiago após a tragédia nos complexos da Penha e do Alemão

Encontros, Eventos

A rede Confluentes se reuniu com o ativista e comunicador Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto, uma das primeiras organizações apoiadas pelo Confluentes, para uma conversa sobre o que aconteceu no dia 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. As duas comunidades foram cenário de uma das operações policiais mais letais da história recente do país, com mais de 120 mortos e centenas de familiares em sofrimento.

Além de ajudar a entender os fatos, o encontro buscou escutar o impacto humano. A dor de mães que perderam seus filhos, o medo que paralisa comunidades inteiras, o cansaço de quem vive sob a ameaça constante da violência. E, ao mesmo tempo, a força e a lucidez de quem, mesmo diante do luto, segue atuando para defender o direito de viver.

Raull lembrou que vivemos um tempo de respostas fáceis diante de problemas muito complexos e que o campo da segurança pública, especialmente no Rio, é um alerta permanente. “A gente vem de pandemia, de crise, de polarização, de violência. A sociedade está muito adoecida, e nesse cenário as pessoas acabam respondendo com raiva, com medo, sem reflexão. Por isso, olhar para o que está acontecendo nas favelas é também entender o que está acontecendo com o país”, disse.

Sua fala trouxe à tona o que raramente se vê nas manchetes: o esforço cotidiano de quem constrói informação e justiça a partir dos territórios, disputando narrativas e tentando garantir que cada vida seja contada com verdade e respeito.

A conversa também foi um espaço para refletir sobre o papel da sociedade civil e da filantropia diante de crises como essa. Quando o Estado celebra a morte, quem defende o direito de viver?  O Instituto Papo Reto e tantas outras organizações de base mostram, todos os dias, que há caminhos possíveis – pela escuta, pelo cuidado e pela construção de alternativas concretas de cidadania.

Para o Confluentes, essa escuta é parte essencial do que nos move. Acreditamos que apoiar financeiramente e institucionalmente iniciativas de base é fortalecer a democracia e a vida. E que a informação e a compreensão que vêm do diálogo com quem está nos territórios ampliam nossa consciência e aprimoram nossa capacidade de articulação.  

Foi com esse espírito que o encontro aconteceu: para compreender o que está em jogo quando o Estado falha em proteger vidas e quando a sociedade se acostuma com a violência.

A conversa reforçou a importância de apoiar organizações que atuam nos territórios, sustentando o trabalho de quem enfrenta cotidianamente os efeitos mais duros das desigualdades. É nesse compromisso – com a vida, com a escuta e com a ação concreta – que seguimos atuando.