Tivemos o privilégio de receber a deputada federal Erika Hilton, em mais um encontro da rede Confluentes, na casa da Inês Lafer, em São Paulo.
Erika compartilhou uma trajetória marcada por coragem, propósito e transformação – da infância em Francisco Morato à conquista de espaço no Congresso Nacional, onde se tornou uma das principais vozes por igualdade de direitos, justiça climática e dignidade humana.
Com uma fala profunda e generosa, ela abordou desde os desafios de ser mulher trans na política até a importância de fazer pontes, defender causas estruturais e construir uma esquerda que una.
“Não me tornei política por vocação, mas porque acreditava que a minha dor podia ser uma plataforma de transformação da sociedade. Eu não queria morrer na esquina, queria que ninguém mais precisasse passar pelo que eu passei”, disse.

Erika ressaltou que falar de clima é falar de dignidade e humanidade. “Nos desastres, quem mais sofre são as pessoas que ninguém vê: as catadoras, as mulheres negras, a população LGBT que não tem abrigo, que não recebe doação, que é esquecida.” Ela reforçou que o enfrentamento das crises climáticas precisa incluir essas vozes, lembrando das catadoras e dos refugiados climáticos como parte essencial da agenda ambiental brasileira.
Defendeu ainda a necessidade de diálogo e cooperação. “Entre a extrema direita e a extrema esquerda há um mar de pessoas possíveis. É com pontes que se constroem políticas públicas. Gritar é importante, mas transformar o grito em política é o que muda a realidade”, frisou.
A deputada também falou sobre a importância de recuperarmos o encantamento e reconectar-se com a vida cotidiana das pessoas. “A classe trabalhadora não é uma abstração. Ela tem cor, tem gênero, tem história. E nós precisamos aprender a falar dessas camadas sem achar que uma apaga a outra. Eu consigo discutir economia e trabalho sem deixar de ser uma mulher negra, travesti e periférica. Não há contradição nisso, há completude”, completou.
Foi um encontro de reflexão, conexão e esperança – um lembrete de que transformar o país exige coragem, generosidade e pontes.












