Alertas de Paulo Artaxo no encontro do Confluentes
“Os efeitos da crise climática já estão em curso, mas não serão igualmente sentidos por todos”. O alerta é de Paulo Artaxo, professor da USP e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável, um dos maiores especialistas do país em mudanças climáticas.
A fala aconteceu durante um encontro especial com a rede do Confluentes no dia 20 de março de 2025 – uma noite de trocas intensas, marcada por dados alarmantes e reflexões urgentes sobre o futuro do Brasil e do planeta.
Segundo ele, enquanto países ricos investem há décadas em transição energética, entre dois e três bilhões de pessoas, sobretudo na América Latina e na África, podem ficar para trás nos próximos 30 a 40 anos. “Não é uma previsão distante. É uma realidade que já está aqui”, enfatizou.
O cientista destacou que o Brasil, embora tenha uma matriz energética majoritariamente renovável, vive vulnerabilidades específicas. “Das emissões de gases de efeito estufa no mundo, 87% vêm da queima de combustíveis fósseis. No Brasil, 82% da nossa energia é renovável. Dentro do G20, somos a exceção. Nosso calcanhar de Aquiles, como todo mundo sabe, é o desmatamento da Amazônia, responsável por 52% das nossas emissões”, disse.
As mudanças já são visíveis em diferentes regiões do país. “O Brasil, como um todo, está se tornando muito mais seco de São Paulo para o norte e muito mais chuvoso de São Paulo para baixo”, explicou. Há dados que mostram que o número de dias com chuvas extremas em São Paulo multiplicou por cinco desde 1930. No Cerrado, 76% dos municípios sofreram redução na disponibilidade de água, e no Nordeste, uma região semiárida, o processo de desertificação está se acelerando.
Para Artaxo, a ciência já cumpriu sua parte: “Não é mais uma questão científica. A ciência já fez o seu trabalho. Agora é com os comunicadores fazer essa mensagem chegar à população”, afirmou.
Esse chamado encontra eco na missão do Confluentes: criar espaços de escuta e construção coletiva, capazes de mobilizar recursos, ideias e pessoas para garantir que a transição climática não deixe ninguém para trás. Cada encontro é uma oportunidade de fortalecer redes que unem ciência, sociedade civil e filantropia em torno de um mesmo propósito: justiça climática e impacto social.
Porque, diante da emergência climática, não há tempo a perder.












